Texto base: João 1:10–14
Em novembro de 1904, o Rio de Janeiro viveu a chamada Revolta da Vacina. Em meio à desconfiança e à falta de compreensão sobre a vacinação contra a varíola, muitas pessoas passaram a enxergar como ameaça aquilo que deveria contribuir para preservar vidas.
De certa maneira, essa imagem nos ajuda a compreender uma realidade ainda mais profunda apresentada no primeiro capítulo do Evangelho de João: o Criador veio ao mundo, mas o mundo não o reconheceu.
João apresenta Jesus como o Verbo, aquele que existia antes de todas as coisas e por meio de quem todas as coisas foram criadas. Cristo não é apenas mais uma criatura dentro da criação. Ele é o próprio Deus que entrou na história.
E é justamente isso que torna João 1:10–14 tão extraordinário.
Na criação dominada pelo pecado, o Verbo se fez carne para restaurar nossa comunhão com o Senhor.
O Criador veio ao mundo, mas não foi reconhecido
João afirma que o mundo foi feito por intermédio de Cristo. Isso significa que aquele que caminhou entre os homens não era simplesmente um mestre ou profeta. Jesus é o Criador.
Mesmo assim, João escreve:
“O mundo não o conheceu.”
Mais do que isso: Cristo veio para os seus, mas os seus não o receberam.
Como isso é possível?
O problema não estava em Cristo. Também não era simplesmente uma falha de comunicação. O problema estava no coração humano.
Desde a queda, o pecado afetou profundamente nossa relação com Deus. O ser humano não apenas pratica atos pecaminosos; sua própria natureza foi atingida pelo pecado. Por isso, naturalmente não reconhecemos nem buscamos o Senhor.
O povo judeu possuía as promessas e conhecia as profecias. Ainda assim, quando o cumprimento dessas promessas estava diante deles, muitos não reconheceram o Salvador.
Essa realidade também nos ajuda a compreender por que a pregação do Evangelho nem sempre produz imediatamente a resposta que esperamos.
Pregamos. Ensinamos. Testemunhamos.
Mas somente Deus pode abrir os olhos espirit